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Presidenciais francesas. Tempo de espera para votar em Lisboa chega às duas horas



Os eleitores franceses em Portugal voltaram hoje a fazer filas com mais de hora e meia de espera para votar em Lisboa, num dia que consideram importante para a França, para a Europa e “para todos”.

“É importante para França, é importante para a Europa, é importante para todos”, disse a antiga professora Line Laplanche, de 66 anos, há “mais de 30” a viver em Portugal, que falou à Lusa pouco depois das 11:00, quando estava prestes a entrar no edifício da embaixada francesa em Lisboa, para votar na segunda volta das eleições presidenciais de França.

Line já levava mais de hora e meia numa fila que circundava o edifício da embaixada, mas ainda assim, com um tempo de espera inferior ao de há duas semanas, na primeira volta das eleições, cujos resultados ditaram uma segunda volta entre o centrista Emmanuel Macron, que se recandidata à Presidência de França, e a líder da extrema-direita Marine Le Pen.

A fila para votar em Lisboa é hoje maior do que há 15 dias, mas “está a avançar muito mais rápido”, disse Maria de Jesus, 60 anos, que trabalha no Liceu Francês e foi votar com o filho Rodrigo, de 26 anos, estudante de doutoramento. Foram os dois preparados para a espera e, como muitas outras pessoas na fila, levaram livros para ler e de passatempos para ir resolvendo.

“A embaixada organizou-se para facilitar ao máximo o processo de voto, com mais pessoas para ajudar a agilizar o processo e menos pontos de controlo” do que há 15 dias, disse à Lusa a embaixadora francesa em Portugal, Florence Mangin.

Ao final da manhã, a afluência às três mesas de voto instaladas em Lisboa, no edifício da embaixada, era similar à da primeira volta, segundo Florence Mangin, que sublinhou, no entanto, ser ainda uma perceção, sem números concretos.

“A afluência mostra que é um dia importante, é crucial para a França e para a Europa”, afirmou a embaixadora, repetindo um sentimento generalizado entre os eleitores que foram hoje votar em Lisboa e que falaram a Lusa.

Florence Mangin acrescentou que a participação na primeira volta destas Presidenciais em Portugal (36,44% dos cerca de 16 mil inscritos) foi quase 10 pontos percentuais maior do que nas eleições anteriores, o que considerou ser um sinal de que a comunidade francesa é “muito dinâmica”.

Ao início da tarde, fonte oficial da embaixada revelou que até às 13:00 tinham votado cerca de 3.400 pessoas, um número superior ao de há 15 dias, sem revelar mais pormenores.

Tal como Line, Maria de Jesus e Rodrigo, também Eric Vial, um informático de 50 anos há dez em Portugal, assegura que vota “sempre” que há eleições e acrescenta que as Presidenciais de 2022 são especialmente importantes, mesmo que se repita nesta segunda volta a disputa entre os mesmos protagonistas de há cinco anos.

“Há uma situação um bocado difícil em França, com um partido que é muito poderoso, cada vez mais poderoso. É importante votar”, disse à Lusa, afirmando a seguir que se referia à extrema-direita.

Na primeira volta, os eleitores franceses em Portugal que votaram deram a vitória a Macron (38,52%), seguindo-se Éric Zemmour, da direita radical (18,43%), Jean-Luc Mélenchon (14,38%), da esquerda radical, e Le Pen (10,04%).

“Infelizmente, a extrema-direita está a crescer bastante em França e acho importante que toda a gente que possa dar o seu contributo para impedir isso o faça”, disse Rodrigo, depois de subinhar que França é um país “com grande influência na Europa”.

A mãe de Rodrigo, Maria de Jesus, a seu lado, acrescentou que “sobretudo nesta altura é muito importante, noutras talvez tivesse demovido a espera, mas nesta é muito importante” votar.

“É um período muito difícil na Europa, não podemos deixar que as coisas se tornem muito perigosas”, afirmou.

Quem não quis arriscar “duas ou três horas de espera” para votar foi Agathe Pommery, de 30 anos, que chegou à embaixada às 07:30, ainda antes da abertura das mesas de voto, e já tinha 25 pessoas à frente.

Às 08:15 já tinha votado e ao meio-dia aproveitava o sol nas esplanadas em frente da embaixada, com amigos, e como faziam várias dezenas de franceses.

Ao contrário de Line, Eric, Maria de Jesus e Rodrigo, Agathe não considera que as eleições deste ano sejam “mais importantes” do que as anteriores, quando a decisão já foi entre Macron e Le Pen.

“A diferença é que agora conhecemos o que se passou com Emmanuel Macron, com o Presidente, e pode ser um bocadinho diferente na decisão de votar”, afirmou, sem revelar a sua opção.

Cerca de 48,7 milhões de eleitores franceses são chamados hoje a votar para escolher o futuro Presidente da França numa segunda volta das eleições.

Na primeira volta, em 10 de abril, Mácron foi o mais votado dos 12 candidatos na corrida, obtendo 27,85% dos votos, seguido de Le Pen, com 23,15%, segundo os resultados oficiais.



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