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Herói ou traidor. Marcelino da Mata é uma discussão impossível?



Em 2020, a morte do antigo comando português Marcelino da Mata trouxe de volta um script que costuma desenrolar-se quando há polémicas em torno de eixos clássicos de divisão entre esquerda e direita. O eixo principal tinha a ver com os deveres e as responsabilidades de um militar ao serviço de uma guerra colonial numa ditadura. Onde um dos lados via um patriota e um herói, o outro via um traidor (ao povo guineense de onde provinha) e um carniceiro. Embora seja um clichê, é mesmo verdade que ambos tinham razão, cada um na sua perspetiva. O problema é que as perspetivas mal se ouviam uma à outra, o que não permitiu avançar muito a discussão.

Marcelino da Mata, nascido em 1940, era o militar mais condecorado do exército português. Participou em 2412 operações na Guiné. As suas missões envolveram com frequência atos de crueldade desnecessária que constituem crimes de guerra segundo qualquer definição razoável. Ele próprio os admitiu publicamente. De uma das vezes, segundo contava, Marcelino mutilou um inimigo de forma bárbara, supostamente em retaliação por um ato idêntico. “Apanhámos o gajo, despimos-lhe a farda, fizemos-lhe a mesma coisa que ele fez ao outro: cortámos-lhe a piça, metemos-lha na boca. A mesma coisa que ele fez aos tais soldados brancos”, diz o ex-comando num vídeo que se encontra disponível no YouTube.



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