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Em “O Quarto de Jacob” descobre-se a vanguarda de Virginia Woolf



Dos três romances de Virginia Woolf anteriores a “Mrs. Dalloway” (1925), o imediatamente anterior, “O Quarto de Jacob” (1922), é aquele que anuncia a viragem modernista, experimentando técnicas das vanguardas e esfumando qualquer ideia oitocentista de sequencialidade, personagem ou enredo. A grande diferença em relação a “Mrs. Dalloway” está em que “O Quarto de Jacob” usa métodos “externos”, mais do que movimentos “internos”. Já temos aqui o ímpeto e o tédio dos gestos quotidianos; a azáfama londrina; fragmentos de conversas (“diverti-me muito”, “és bom demais”, “acho que são cebolas”); “meias frases” e “indícios” sociais ou sexuais; elipses e saltos narrativos; mas também encontramos planos aproximados e de conjunto, como nas fotografias; catálogos genéricos de pessoas, sem as particularidades de cada indivíduo (“o desenho de personagens é uma arte frívola”); visitas aceleradas e cinematográficas a museus, ilhas, parques, cemitérios; panorâmicas sobre o estado do mundo e o rumo dos acontecimentos, como num jornal ou num telegrama diplomático.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.



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