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Dentro da pintura ou totalmente de fora? Uma reflexão sobre exposições “imersivas”



O título “Pintura em Movimento” contém todo um programa e um pressuposto: o programa pretende “animar” a pintura, pondo-a literalmente a mexer, e o pressuposto julga que a pintura é uma coisa estática, que não entende o movimento que lhe é próprio, ou melhor, que cada um de nós enquanto público lhe empresta e literalmente a faz viver, ou melhor, vive com ela.

Tal movimento é o dos olhos, percorrendo uma superfície, detalhando um pormenor ou recuando para tentar abranger a totalidade, o que é normalmente fácil se se tratar de um quadro de cavalete — nesse recuo joga todo o corpo mais as memórias dele e de outras coisas vistas, sentidas ou saboreadas. Os sentidos, todos eles, os que têm nome, os que ainda não têm e os que nunca terão, sempre entraram e colaboraram nessa operação complexa a que chamamos “ver”.



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