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Costa não quer partir o arco do “Stradivarius” onde o “otimismo passa de geração em geração”



“O otimismo é algo que se transmite de geração em geração neste partido” – a frase é – só podia ser – de António Costa, que no seu papel de secretário-geral do PS encerrou a festa de 49 anos do partido. Uma festa que, por causa do luto nacional pela morte de Eunice Munoz, decorreu um dia depois da data. Em vez de 19 foi a 20, o que serviu para assinalar outra efeméride:os 50 anos da publicação de “Portugal Amordaçado” o livro emblemático de Mário Soares, escrito no exílio e no qual o líder histórico socialista dava testemunho do combate ao salazarismo, mas também antevia já um Portugal democrático e integrado na Europa.

No seu discurso, na festa que decorreu na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa, o atual líder socialista lembrou que muitos “partidos irmãos do PS” por essa Europa fora foram desaparecendo ou ficando reduzidos a minimos eleitorais, provando “que os partidos não são eternos”. E recordou que o PS também já viveu momentos dificeis, em que saiu de momentos de govarnação “com pesadas derrotas”, em que “era muito difícil encher salas como esta” e em nãoa rriscava fazer comícios fora de Matosinhos. Nesses momentos, disse, o fez a diferença e impediu que o PS português seguisse o caminho de outros partidos socialistas foi a implantação autárquica dos socialistas. “O que fez a grande diferença” para a sobrevivência foi o PS “ter sempre os seus autarcas quando nao havia Presidente da República, nem governos” socialistas.

“Tivemos momentos de grandes derrotas, momentos em que no nosso espaço político emergiu uma outra força [PRD] que parecia que nos ia dividir ao meio. Houve momentos em que saímos do Governo com pesadas derrotas, em que Mário Soares teve sondagens a darem-lhe 8%. A verdade é que o otimismo é algo que se transmite de geração em geração neste partido”, disse António Costa, numa referência à vitória de Soares nas presidenciais de 1986, depois de o PS ter tido uam grande derrota nas eleições legislativas de 1985 e de o líder histórico ter partido para a corrida presidencial com sondagens a darem-lhe resultados abaixos dos dois digitos.

Agora, continuou Costa, “neste momento em que temos razões para estarmos felizes, temos razões para olahr para os portugueses com muito respeito e muita responsabilidade”, pelo que é preciso “nunca perder o Norte, nunca perder o rumo”. E o Norte não é responder aos problemas imediatos é “construir uma sociedade melhor, para os nossos filhos, para os nossos netos e para os filhos dos nossos netos”, continuou o primeiro-ministro, que prometeu preservar o partido.

Antes dele, José Manuel dos Santos, antigo conselheiro de Soares e responsável por preparar as celebrações dos 50 anos do PS, tinha contado como foi a fundação do partido e como, com esse ato, Soares tinha considerado que os socialistas tinham finalmente o “Stradivarius”, esse violino de tão especial construção, que precisavam.

“O meu compromisso é nem sequer pegar no arco para não correr o risco de estragar o Stradivarius. O meu compromisso é preservar para que no futuro alguém o tome em mão e possa continuar a fazer aquilo que este partido deve fazer”, disse António Costa, que tem tem feito questão de ter um secretário-geral adjunto que trate da vida corrente do partido enquanto o PS e o seu líder estão no Governo.

Educação e reformas

Na sua intervenção, António Costa regressou a vários dos argumentos que tem usado nos últimos tempos. Disse que a amrca mais importante dos últimos anos foi ter reduzido de 13 para 5,9 por cento a taxa de abandono escolar precoce. Lembrou a “grande paixão pela educação” proclamada por Guterres e defendeu que “o motor do desenvolvimento é o investimento na qualificação”.

O primeiro-ministro respondeu a várias das críticas que lhe são feitas, sobretudo à direita e que foram apontadas no último artigo de opinião publicado pelo ex-Presidente Cavaco Silva. Reconheceu que há países que entraram depois para a União Europeia e que estão a crescer mais do que Portugal, mas voltou a justificar essa situação com o facto de esses países terem níveis de formação mais elevados quando entraram para a UE. E prometeu que a diferença vai passar a ser menor porque Portugal já conseguiu melhorar o nível médio de escolaridade.

“A diferença entre nós e a direita não é uns fazerem reformas e outros não, é saber que reformas é que uns gostavam de fazer e as reformas que os outros fazem”, continuou Costa que foi acusado por Cavaco de não ter coragem nem ímpeto reformista. Entre as reformas feitas pelos socialistas que salientou estão a fundação do Serviço Nacional de Saúde, a criação do rendimento minimo, agora rendimento social de inserção (RSI) e, novamente, a redução do abandono escolar precoce.

Na primeira intervenção da noite, o dirigente José Manuel dos Santos, presidente das comemorações dos 50 anos do aniversário do PS, que se assinalam para o ano, lembrou o primeiro líder, Mário Soares, e as circunstâncias da fundação deste partido em Bad Münstereifel, na Alemanha.

“Maria de Jesus Barroso não esteve ao lado de Mário Soares na decisão da fundação, assinalando a independência do seu voto”, referiu.

Segundo José Manuel dos Santos, a fundação de uma alternativa de socialismo democrático quebrou a tese da ditadura de acordo com a qual entre esse regime e o comunismo não havia nada, ou a tese do PCP de que entre eles o fascismo também nada existia.

No seu discurso, o membro da Comissão Política do PS apontou também que a publicação do livro Portugal Amordaçado, de Mário Soares, fez hoje exatamente 50 anos.

José Manuel dos Santos defendeu depois que as comemorações dos 50 anos do PS, “embora próprias e autónomas, não podem no seu significado e alcance perder de vista os 50 anos do 25 de Abril de 1974, nem os cem anos do nascimento de Mário Soares, que ocorrem ambas em 2024”.

“Estes são os três vértices de um triângulo, sem o qual o sentido do que se vai fazer se perderia. As comemorações dos 50 anos do PS podem e devem representar uma oportunidade de reafirmação da nossa identidade de comunicação com os portugueses. Devem ter memória, mensagem, marca e mobilização”, acrescentou.

A seguir, a historiadora Fernanda Rollo, membro do Conselho de Administração da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, recordou o percurso da Ação Socialista Portuguesa (ASP) até se transformar em PS em 1973.

“Uma marca feita de experiências e resistências diversas, com uma inscrição liberal que recua até ao século XIX. No período democrático, o PS esteve presente em todos os momentos da História contemporânea de Portugal”, sustentou a antiga secretária de Estado.



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