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Capitão Fausto entre Vénus e Marte, de José Cid a Radiohead, de Portugal para o mundo. 10 anos de “Gazela” no Coliseu de Lisboa


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Capitão Fausto no Coliseu dos Recreios, Lisboa

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Às vezes é boa ideia dar um par de passos atrás antes de pensarmos em avançar. Lembram-se de 2011? Nesse tempo (quase) digitalmente pré-histórico não havia máscaras nem álcool-gel, os combustíveis tinham preço obscenamente mais reduzido e não havia uma guerra como aquela que hoje nos reclama todas as atenções. Nesse tempo, tudo era mais simples. Achamos nós.

Perante uma plateia efusivamente desmascarada, amplamente branca e equilibrada nos dois géneros dominantes, Domingos Coimbra, Francisco Ferreira, Manuel Palha, Salvador Seabra e Tomás Wallenstein viajaram no tempo, até 2011, quando se estrearam soltando a sua “Gazela”, uma estreia que era também uma declaração de efusivo amor: à nossa elétrica língua, a este gingar voltaico herdado de heróis marítimos e de legiões cheias de glória de tempos tão recuados que os membros do grupo só poderiam ter vivido no Youtube.

Quando chegam a ‘Febre’, a compacta plateia não regateia entusiasmo ou entrega. E canta-se a uma voz: “é uma honra passar estes dez anos ao vosso lado”, garante-se a partir do palco. E ninguém discorda.

O palco está despido: não há adereços para sublinhar a pompa e a circunstância nem fumos ou espelhos para desviar as atenções do essencial: e o que aqui de facto importa é a ideia de celebração. Não tanto uma marca de calendário, como uma noção coletiva de superação de um Cabo do Bojador mais ou menos simbólico, mas de implicaçōes muito reais e concretas.

Quando as gargantas afinam os “la-la-las” em ‘Supernova’, não restam dúvidas: estamos todos em sintonia, mas é para avançar, não para voltar aos tempos da euforia da recuperação de uma crise económica que vergou um planeta inteiro. O pulsar do instrumental que dá título à estreia que aqui se celebra permite um coletivo recuperar de fôlego, um interlúdio de injeção energética e de realinhamento de energias que serão necessárias para uma etapa ainda mais intensa nesta festa que é uma estranha viagem no tempo: até 2011, por um lado, mas também ao futuro possível.

Quando ‘Santa Ana’ se materializa, o uníssono indica perfeita comunhão. Não há não crentes no Coliseu. E por isso dá para tudo: até para um solo de bateria, um recurso artístico estranho num mundo que aprendeu a viver sem Keith Moon. A plateia vibra como se estivesse toda ligada na mesma corrente.

Entretanto, assumem-se as marcas da passagem do tempo, referindo-se uma era em que todos pesavam menos 10 quilos (simpáticas, estas memórias verbalizadas a partir do palco…), e a viagem de “Gazela” prossegue, entre elétricos acordes que ecoam quartetos de Liverpool e sonhos de Alvalade, bairro de Lisboa. Está tudo no mesmo azimute pop, certo?

Depois de um interlúdio prog-rock com sintetizadores de outro tempo bem mais recuado do que 2011, eis que se solta uma ‘Raposa’ que é também sinal claro do alinhamento que há uma década estes rapazes professavam: com marcas de uma era em que navegávamos no espaço algures entre Vénus e Marte, entre José Cid e os Radiohead, entre este lugar português e outro sítio qualquer.

O primeiro desvio de “Gazela”, que desfilou na íntegra, sucede com ‘Amor, a Nossa Vida’, tema de “A Invenção do Dia Claro”, a que se segue um saudoso ‘Alvalade Chama Por Mim’, de “Os Capitão Fausto Têm os Dias Contados”, que mete uma plateia cantar em uníssono uma fugaz juventude que, na verdade, ainda lhes pertence.

Seguem-se as ‘Maneiras Más’ de “Pesar o Sol”, mais uma eficaz forma de afirmação de uma identidade divergente da norma, alinhada com outro tempo, dito progressivo. ‘Sempre Bem’ é o hino que se segue, grito de quem não se pode queixar num mundo cheio de gritos de mais do que justa dor. Cabemos todos aqui, não é? ‘Certeza’ é a etapa seguinte, oportunidade para Tomás Wallenstein recordar que as aulas de violino da infância não foram em vão, em mais uma deriva prog com direito a delírio de sintetizadore e tudo. Haja ‘Corazon’ para aguentar tudo isto!

Mais perto do fim, que afinal ainda tardaria, ‘Faço as Vontades’, mais uma oportunidade de ‘singalong’ a que ninguém se escusa. “Não me quero ir embora”, diz o líder: ‘Lentamente’ remata uma festa tão perfeita que parece mentira. 2011 já foi há um bom bocado: o primeiro adeus acontece com ‘Final’, a peça que faz acender as lanternas de todos os smartphones presentes.

Saída de palco, “só mais uma”, em clamor coletivo e um regresso para a inevitável ‘Amanhã Tou Melhor’, momento de coletivo e uníssono baile. O adeus não fica por aqui, é um ‘até já’ prolongado com ‘Morro na Praia’, título irónico para uma banda que tanto tem navegado, e ‘Boa Memória’, rastilho para uma explosão final. As vénias finais, com toda a gente abraçada na boca de palco, acontecem ao som de ‘Crystal Blue’ de Tommy James & The Shondells a ressoar no PA. Os Capitão Fausto estão bem, obrigado, e estão aí para as curvas da vida. Em Alvalade ou noutro sítio qualquer.



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