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Afinal, a Rússia rejeita usar armas nucleares na Ucrânia. Devemos acreditar? “Normalmente eles fazem o que negam”



A Rússia assegura que, afinal, não vai utilizar armas nucleares na Ucrânia. A garantia foi dada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros russo esta terça-feira, numa entrevista à televisão “India Today”. “Apenas armas convencionais” serão usadas pelas tropas russas, afirmou Sergei Lavrov, depois de ter sido questionado sobre a possível utilização de arsenal nuclear contra a Ucrânia.

No entanto, Lavrov, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, não é diretamente responsável pelas decisões militares tomadas na guerra na Ucrânia, pelo que a declaração de Sergei Lavrov é recebida com algum ceticismo.

A ameaça nuclear foi lançada várias vezes pela Rússia, em momentos diferentes da guerra. Numa fase inicial, Vladimir Putin avisou que quem se opusesse às suas ações iria ver armas nunca antes vistas, e Sergei Lavrov por duas vezes afirmou que uma Terceira Guerra Mundial só poderia ser “nuclear”. A ameaça colocou o Ocidente em alerta.

No final de março, a possibilidade de a Rússia utilizar armas nucleares na Ucrânia voltou a ser colocada. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, admitiu, numa entrevista à CNN: “Se houver uma ameaça existencial para o nosso país, então podem ser usadas”. O Pentágono reagiu aos comentários de Peskov, que considerou “perigosos”. “Não é assim que uma potência nuclear responsável deve agir”, condenou o porta-voz John Kirby. A Rússia é a potência mundial com maior número de ogivas nucleares, à frente dos Estados Unidos.

Mais recentemente, na semana passada, a Rússia voltou a ameaçar destacar armas nucleares, neste caso não na Ucrânia, mas no mar Báltico, caso a Suécia e a Finlândia decidam aderir à NATO. “Será necessário reforçar o agrupamento de forças terrestres, defesa antiaérea, destacar forças navais significativas nas águas do Golfo da Finlândia. E, então, já não poderemos falar de um Báltico sem armas nucleares. O equilíbrio deve ser restabelecido”, ameaçou o vice-presidente do Conselho de Segurança e ex-presidente russo, Dmitri Medvedev.

Agora, Sergei Lavrov, que é também o chefe da diplomacia russa, descarta uma ameaça nuclear, pelo menos na Ucrânia. A dúvida está em saber se pode confiar-se naquilo que o ministro dos Negócios Estrangeiros russo diz e se a Rússia vai cumprir a promessa. Em janeiro, Lavrov disse que a Rússia não ia começar uma guerra na Ucrânia, mas no dia 24 de fevereiro começou a “operação militar especial”.

“Assustador. Normalmente eles fazem o que negam. O Ministro dos Negócios Estrangeiros russo Sergei Lavrov assegura que a Rússia não está a considerar a utilização de armas nucleares na Ucrânia”, reagiu a ex-porta-voz do Presidente da Ucrânia, Iuliia Mendel, no Twitter.

O possível uso de armas nucleares foi um dos maiores receios da guerra. Os serviços secretos ocidentais ainda alertam para a possibilidade de o Kremlin recorrer a armas nucleares táticas ou outro arsenal com capacidade mais limitada se as forças ucranianas continuarem a resistir no leste e sul do país, nota a agência Bloomberg.

Na entrevista, Lavrov disse ainda que a “operação militar especial” russa entrou agora numa nova fase — com a batalha no Donbas — que vai continuar. “A operação no leste da Ucrânia visa, como foi anunciado desde o início, libertar totalmente as repúblicas autoproclamadas de Donetsk e Luhansk. E essa operação continuará”, avisou, acrescentando que “será um momento muito importante para toda a operação militar especial” da Rússia.



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